Apresentação

Bem-vindo ao Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da UFES

  • Esta linha compreende as investigações históricas e/ou historiográficas sobre as formas de Estado e de governo, devidamente contextualizadas, sua dinâmica e transformação, discernindo os grupos sociais que compõem a organização estatal ou lhe dão sustentação, uma vez que o Estado jamais pode ser visto como uma entidade desvinculada das relações sociais que o produzem. De fato, a exemplo do que pensava Marx, opondo-se a Hegel, o Estado não transcende a sociedade ao se materializar na História, mas brota das contradições insolúveis geradas por esta mesma sociedade (Carnoy, 1986), cabendo à pesquisa empírica discernir como, em um momento histórico determinado, os distintos segmentos sociais se articulam no interior do Estado para produzi-lo. A linha inclui igualmente reflexões acerca da configuração material do Estado por intermédio da criação de instituições burocráticas, judiciais, policiais e militares, as quais cumprem tarefas específicas e indispensáveis para o funcionamento do governo. Além disso, a linha permite interrogar-se sobre as múltiplas instâncias de exercício do poder político no âmbito de uma determinada sociedade e as relações que mantêm entre si, quanto aos níveis executivo, legislativo e judiciário, no âmbito da administração municipal, estadual e/ou federal.
    A linha de pesquisa contempla também a implementação do que podemos denominar como políticas públicas. Não obstante o termo políticas públicas, em sentido estrito, ser empregado para designar um conjunto mais ou menos integrado de medidas estatais de intervenção na economia (Rémond, 1996:23), preferimos atribuir à expressão um sentido lato. Sendo assim, concebemos políticas públicas como estratégias de ação estatal visando à consecução de objetivos políticos nos mais diversos domínios da vida em sociedade, tais como a economia, o serviço social, a educação, a integração social, a cultura e outros. Além disso, faz-se necessário analisar, em contrapartida, como o Estado se relaciona com os territórios que o cercam ou sobre os quais exerce algum tipo de ingerência, o que implica o estudo dos movimentos de expansão de fronteira, de gestão de domínios, impérios e colônias e as relações estabelecidas com outros Estados por intermédio de pactos, alianças, ligas e federações.

  • Esta linha compreende as investigações históricas e/ou historiográficas no âmbito dos distintos grupos sociais, informal ou formalmente organizados, considerando as interações políticas intragrupais, intergrupais e destes grupos com as instituições públicas ou governamentais. Contempla temáticas relacionadas aos micro-poderes, descontínuos e dispersos, atuantes no cotidiano, os quais contribuem significativamente para a configuração e reprodução de um determinado sistema político. Dedica-se às investigações sobre as relações de poder no interior de instituições como a família, a escola, a igreja, bem como as interações nos locais de trabalho, articulando as microrrelações cotidianas com os padrões de organização estatal, numa perspectiva que visa a iluminar as peculiaridades entre o individual e o coletivo, o privado e o público. Inclui os estudos acerca dos mecanismos de exclusão e estigmatização sociais, fundamentados em critérios de ordem étnica, de gênero, condição socioeconômica e outros. Esta ampliação do foco de análise do político, em especial quanto à inclusão dos micropoderes, é hoje um dos maiores desafios colocados à Nova História Política (Gouvêa, 1998).
    Em outra perspectiva, a linha incorpora estudos sobre a dimensão política das mais diversas formas de associações, formal ou informalmente constituídas. Compreende as modalidades possíveis de associacionismo, as interações das associações entre si e/ou com as instituições públicas, isto é, com o Estado, seja como entidades co-extensivas a ele ou como espaços de construção de contrapoderes que pretendem interferir nos padrões de atuação estatal (Rioux, 1996). Desse modo, na linha são examinados os vínculos historicamente determinados entre associações ou organizações sociais e os sistemas político-jurídicos, seja na identidade de interesses ou na forma de resistência, incluindo suas repercussões sobre a opinião e os poderes públicos (Putnam, 1996). A linha incorpora assim estudos acerca da dimensão política dos movimentos sociais, compreendendo manifestações públicas rurais e/ou urbanas, revoltas, sedições, guerras civis, revoluções, lutas de emancipação ou libertação entre outros. Enfim, contempla os movimentos políticos enquanto expressões das aspirações e interesses sociais face ao Estado ou a outros segmentos sociais dominantes. Pertencem, pois, a este enfoque, estudos sobre o comportamento das multidões e os mecanismos de resistência política e cultural.
    A linha tem por objetivo estimular igualmente a reflexão sobre os nexos entre cotidiano e poder, buscando discernir a dimensão política da vida cotidiana com base na análise da maneira pela qual os papéis sociais são forjados e das táticas individuais e coletivas empregadas pelos agentes (Certeau, 2008). Para tanto, um dos principais aportes teóricos evocados é o conceito de “sociabilidade” criado por Georg Simmel na segunda metade do século XIX e mais tarde desenvolvido pelos pesquisadores filiados à Escola de Chicago (Frúgoli Jr., 2007). Diretamente vinculadas à dimensão do cotidiano, ao daily life, as sociabilidades exprimem modalidades de intercâmbio e interação regidas por regras nem sempre formalizadas ou fixadas de antemão, mas que cumprem um papel fundamental para a definição das identidades sociais, uma vez que por meio delas os grupos e/ou indivíduos negociam a sua posição uns em relação aos outros, num processo contínuo de troca cultural, de absorção e ressignificação de práticas, concepções e valores (Velho, 2001). As sociabilidades diriam respeito assim a experiências que escapariam, num primeiro momento, à convenção institucional, às normas contidas nos códigos legais e de conduta cuja formulação é por, via de regra, remetida a agentes investidos com a autoridade de disciplinar um determinado ordenamento social, razão pela qual, no âmbito das sociabilidades, são por vezes gerados comportamentos que resistem à tentativa dos poderes públicos em discipliná-los.

  • Esta linha compreende as investigações históricas e historiográficas em torno dos sistemas de representação e sua exteriorização sob a forma de expressões simbólicas as mais diversas, enfatizando os processos sociais produtores de identidade/alteridade em conexão com os padrões de distribuição do poder político e os processos simbólicos que sustentam tanto a manutenção do "status quo" quanto as ações visando à sua superação. A linha tem como um dos seus principais aportes teóricos o conceito de representação tal como propugnado, dentre outros, por Chartier (1990), incluindo assim as reflexões em torno dos mecanismos pelos quais os “constructos” simbólicos, ao ordenarem a realidade de acordo com determinados princípios de organização, ou seja, ao representarem o mundo, os seres e as coisas de maneira inteligível para os agentes, são capazes de definir simultaneamente a identidade dos mesmos. Desse modo, a fixação das identidades é um processo que depende sempre da maneira pela qual um determinado grupo concebe, interpreta ou representa o seu mundo, resultando daí a interdependência entre os conceitos de representação e de identidade.
    Dado que não existe nenhum sentido original que resida no interior dos seres e das coisas e que possa ser revelado mediante essa ou aquela operação cognitiva, toda ação tendo por objetivo fixar uma taxinomia, estabelecer uma classificação, produzir uma clivagem resulta sempre de uma perspectiva particular de quem se encontra em condições de definir o que é igual em oposição ao que é diferente e que, por isso mesmo, detém o poder de discriminar entre objetos pertencentes a um mesmo campo social. É exatamente essa a operação envolvida na construção das identidades e alteridades. Em geral, tende-se a considerar que a definição do que é igual, comum, semelhante entre os indivíduos seja o passo inicial para que uma determinada identidade venha a se constituir, sendo a diferença encarada como o substrato inevitável da identidade. Entretanto, outros autores (Tadeu da Silva, 2000; Jovchelovitch, 1998) têm insistido em demonstrar que a percepção da diferença se impõe como o ato fundador das identidades, obrigando-nos assim a reconsiderar a importância atribuída à alteridade para o estabelecimento das identidades sociais.
    São também pertinentes a esta linha as investigações sobre as idéias ou concepções políticas, formuladas por porta-vozes do seu próprio tempo, por formadores de opinião com condições de influenciar o comportamento coletivo. A linha comporta assim o exame das interseções possíveis entre política, filosofia, religião e os saberes oriundos do senso comum, bem como as manifestações culturais que apresentem implicações políticas. Nesta interseção entre o político e o cultural, a linha reserva espaço para os estudos relativos à cultura política, para as crenças e valores que, desde o seio familiar, passando pelas instituições escolares e religiosas e por inúmeras outras associações, representam o conteúdo da socialização que permitirá aos indivíduos assumirem determinado comportamento político (Rioux, 1998). Por outro lado, na medida em que os sistemas simbólicos, dada a sua condição de sistemas estruturados e estruturantes, cumprem a função política de instrumentos de imposição ou de legitimação da dominação, contribuindo para assegurar a dominação de uma classe sobre outra, dando o reforço da sua própria força às relações de força que a fundamentam (Bourdieu, 1989), é necessário que a linha inclua o estudo a respeito dos aspectos simbólicos que cercam o exercício do poder político ao longo da História, especialmente nos regimes monárquicos e ditatoriais, os quais tendem a produzir um culto em torno dos governantes que os converte em seres excepcionais dotados de atributos por vezes sobre-humanos. A esta linha cabe analisar ainda os mecanismos de propaganda, de produção de consenso utilizados pelos regimes políticos no sentido de difundir uma determinada imagem do governo que o torne justo, legítimo e até mesmo indispensável por parte dos que a ele se encontram submetidos, ao mesmo tempo em que desqualificam os seus inimigos reais e/ou potenciais (Busino, 1999).

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tem 62 anos como instituição de ensino superior. Está instalada em quatro campi - Goiabeiras e Maruipe, em Vitória; Alegre, no sul do Estado; e São Mateus, no norte - e possui dez centros de ensino que agregam diferentes áreas do saber. Reúne 1.570 docentes, dos quais 1.034 são doutores. O seu Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB) é o maior do Espírito Santo, com cerca de 440 mil livros. Sua pós-graduação inclui 48 cursos de mestrado e oito de mestrado profissional, e 26 cursos de doutorados. A Ufes atua por diferentes meios, como jornal e revista impressos, homepage, rádio e TV. Diversos programas de assistência são oferecidos aos estudantes para mantê-los na Universidade até a conclusão de seus estudos. Presta ainda diversos serviços à comunidade como na assistência à saúde, na área jurídica, no ensino de idiomas e na preparação ao ingresso no ensino superior.

Com a responsabilidade de produzir e divulgar o conhecimento científico, artístico e tecnológico na região, criou-se, em 1953, o Departamento de História e, em 1995, deu-se início à oferta regular de cursos de pós-graduação lato sensu em História, contando inclusive com o apoio da Capes, num momento em que o mercado de trabalho começava a exigir dos professores maior qualificação profissional. Em 2003, obteve-se aprovação por parte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes para o funcionamento do curso de mestrado, que iniciou as atividades do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em História da Ufes. A recomendação ocorreu por meio do Ofício 423/2002 do CTC/CAPES, homologado pelo Conselho Nacional de Educação - CNE através do Parecer 83/2003 de 9/4/2003 e reconhecido pela Portaria do Ministério da Educação - MEC, sob o nº 1.585, e publicada no Diário Oficial da União em 23/6/2003. No ano de 2010, dessa vez, foi criado o curso de doutorado em História com a recomendação da CAPES através do Ofício 177-20/2010, e suas atividades iniciaram-se em agosto de 2011.
O curso de doutorado foi homologado pelo CNE através do Parecer nº 168/2011 e reconhecido pela Portaria MEC nº 1364 de 29/9/2011, seção 1, p.40-41, publicada no D.O.U. em 30/9/2011.

O programa tem sua sede em Vitória-ES, oferecendo o curso de Mestrado em História desde 2003 e o curso de Doutorado em História desde 2011 e mantém um perfil de qualificação acadêmica atestado pela CAPES, tendo recebido conceito 4 na última avaliação.

O programa já formou 270 mestres e 24 doutores e conta com 97 alunos regularmente matriculados, sendo 47 no mestrado e 50 no doutorado.

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